Na dúvida, não é sobre o caso Isabella II
A Vitória do Hidropopulismo. Esse foi o título da reportagem da pseudo-revista com maior circulação no Brasil. Ela acusa o novo presidente paraguaio de ter obtido sucesso nas urnas por meio de promessas populistas, principalmente em relação ao aumento do preço cobrado pela energia proveniente de Itaipu vendida ao Brasil. Esta energia que, segundo muitos, está dentro de um valor cabível, tratando-se de uma situação assim.
Convenhamos, Duda Teixeira (quem escreveu a reportagem), seria uma tolice muito grande o presidente eleito não utilizar este argumento para sua campanha eleitoral. A produção de Itaipu é de 90 milhões de megawatts/hora, sendo que metade pertence ao Brasil e metade ao Paraguai. O consumo paraguaio é de 8 milhões de megawatts/hora, ou seja 37 milhões de megawatts/hora são vendidos ao Brasil. Segundo alguns jornais, Lugo acusava o Brasil de pagar US$2,81 por cada megawatt/hora. O que ocorre, porém é que dos aproximados US$45 pagos pelo Brasil, quase US$42 são destinados para a manutenção da usina e para o pagamento da dívida contraída por empresas brasileiras na construção da mesma, já que estas bancaram todo o projeto.
Tirando outros gastos, ano passado nossos vizinhos tiveram como lucro líquido US$340 milhões apenas com a venda da energia. Segundo dados de 2007 da CIA, o PIB paraguaio é de US$9,34 bilhões, portanto apenas a usina rendeu, líquido, quase 4% do PIB paraguaio. Isso porque, segundo informações, a idéia de Lugo seria aumentar em, aproximadamente, 5 vezes o valor pago pelo Brasil. Caso isso ocorra, o valor diparará para US$1,7 bilhão, exorbitante comparado ao PIB paraguaio.
O possível aumento representaria um prejuízo para o consumidor brasileiro. Criaria um ciclo, já que a produção tornar-se-ia mais cara, assim os produtos finais estariam inflacionados, o que atingiria diretamente as classes menos favorecidas. Além disso, o Paraguai precisa se desenvolver de outras maneiras, não criando uma dependência do dinheiro da exportação de energia de uma usina que fica fora de seu território. Defender a produção nacional, tudo bem, mas o aumento só tornaria o Paraguai mais dependente de outro país.

29 Abril, 2008 em 11:06 pm
discordo.
Se é promessa populista pra Veja, pra mim é um ato de defesa.
Se o paraguai realmente aumentar o preço daquilo que vende para o brasil, o brasil simplesmente não pode fazer nada.
daonde o brasil vai tirar tanta energia? Não vai. Ou aceita ou é pior. Se foi assim com a Bolívia diante do gás, o que dizer de itaipú.
Não se esqueçam que a petrobrás que sofreu o golpe boliviano tempos atrás, é a mesma criada a partir da nacionalização das irmãs americanas por vargas.
O brasil não pode retaliar economicamente o paraguai, pois isso seria um ataque ao próprio mercosul.
Chegou a hora de o Brasil entender também, que se deve haver cooperação no cone sul, mais do que nunca, não se pode mais contar com exploração.
O Paraguai entende muito bem o que é dominação… global, continental e regional. Especialmente este último, de maneira que o Brasil é em grande parte responsável.
Se o Brasil precisou se livrar de uma dominação e aceitar outra pra desenvolver com o paraguai é paracido. Que ele se livre da exploração do Brasil e aceite a do Mercosul. Afinal, para mim, o paraguai está para o mercosul, como o Brasil para a ALCA se ela existisse: ruim com ela, pior sem ela.
Palmas ao presidente paraguaio.