Crueldade?

Todo alguém tem um punhado de coisas que adora dizer que são “maldades”: matar, roubar, estuprar e o escambau são os comuns, que todos acham barbaridades (menos os que matam, roubam e fazem o escambau) e coisa e tal, e tal e coisa. Mas, nos que não fazem parte do “escambau”, alguns resolvem colocar coisas que são atos totalmente e quase exclusivamente humanos, da forma que são feitos. “Manipular alguém” é meu exemplo favorito.

É fato que a manipulação existe em toda e qualquer espécie animal: a formiga rainha faz todas trabalharem para ela, por puro golpe de instinto. O leão mais forte submete as leoas que quiser, por questão de força e de seleção natural (embora, atualmente, a seleção artificial seja predominante). Raios, os macacos manipulam uns aos outros, para que os últimos façam as tarefas menos “nobres”.

Oras, a diferença nos seres humanos é que a manipulação de verdade não ocorre por questão de força, mas sim de astúcia e capacidade para tal. Claro, manipular alguém cara-a-cara com o argumento óbvio de “eu sou mais forte que você, magrelo” para conseguir cola na prova de sábado ou um lanche de graça é fácil, mas manipulação real, que é fazer a pessoa manipulada não se ver como tal já se tornou uma arte. A política se baseia nisso, a guerra e a não-guerra (paz é coisa de hippie, e Cidão já morreu). Claro, a manipulação pode ser algo cruel, mas apenas se levar a algum dos itens que caem no comum. Caso contrário, é apenas questão de habilidade. No mundo em que vivemos, no país em que vivemos, quem tem mais habilidade acaba no topo, controlando o resto; ou seja, estamos em uma sociedade onde uma das coisas que muitos consideram “cruel” é uma das características mais recompensadas de um ser humano.

Agora, o que leva alguém a pensar que a manipulação é algo cruel? Alguém que tenha noções melhores e menor capacidade de ser persuadido simplesmente não é persuadido, pelo simples fato de que sabe bem o que quer e pode muito bem fazer uma análise, palavra por palavra, do que lhe pedem ou do que é pedido aos outros. Então, os mais “aptos” nesse aspecto não são manipuláveis, pelo contrário: geralmente são manipuladores, a não ser nos raros casos dos “educadores”, que ainda acham que todos devem ser iguais e não devem se enganar, ou seja, Darwin ao inferno e a seleção natural com ele. Porque, afinal, se a capacidade de manipular e a de ser manipulado são diferenciais na sociedade (que é a nossa forma moderna de organização e, portanto, nosso atual meio natural) em que estamos, ela passa a ser uma forma de seleção. Os que desenvolvem essas habilidades se tornam mais aptos, enquanto os outros são eliminados por serem mais fracos. Então, o que leva alguns a achar que a manipulação é cruel não é diferente do que os leva a imaginar que o leão comer uma gazela é cruel, os filhotes idem e que as girafas baixinhas não deveriam ter sido extintas, porque elas eram mais fofas. Não?

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