Por que Napoleão perdeu? – Fim

No post anterior da série, havíamos chegado ao ponto da batalha em que as forças britânicas estavam desgastadas após um dia inteiro de combates. A situação era desesperadora para Wellington, herói de Assaye, Talavera, Vimeira e inúmeros outros campos de batalha ao redor do mundo. Mas seus inimigos não estavam em melhor situação. As forças francesas estavam desgastadas após combates aguerridos como os ocorridos em La Haye Sainte e a carga de Ney, que alcançou os canhões inimigos, esquecendo do material para destruí-los.

Desta forma, a Camlann de Bonaparte chegou num impasse. E isso selou a sua derrota, no plano estratégico. O tempo de que necessitaria para reconstruir o exército francês após a vitória pírrica que era o melhor cenário possível seria suficiente para que as tropas da Sétima Coalizão formassem uma frente única a qual a França não teria condições de resistir.

A esperança de Napoleão era vencer Wellington enquanto Grouchy bloqueava o avanço prussiano. Mas a retaguarda das forças de Blücher resistiu por tempo suficiente para que o grosso do exército chegasse a Waterloo, convertendo o equilíbrio instável que se estabelecera no derradeiro fracasso de Bonaparte. Não é difícil imaginar que, se fossem os 30 mil soldados franceses que tivessem chegado ao invés dos 17 mil de Blücher, seriam as forças da Coalizão a sofrer a debacle. Qualquer perturbação faria a balança pender para um dos dois lados naquele campo de batalha.

Como foi Blücher e não Grouchy quem chegou, o Imperador foi exilado em Santa Helena, onde morreu anos depois – ainda persiste o grande mistério sobre a causa do falecimento. De certa forma, pode-se responsabilizar o Acaso – ou Deus, como fez o grande Victor Hugo, maior escritor francês – pelo resultado da batalha, o que apenas contribui para a aura mítica que se criou em torno do pequeno corso.

Napoleão Bonaparte conquistou seu lugar na história no fim de uma revolução que marcou a civilização nos séculos seguintes, através de manipulação política e uma capacidade militar igualada por poucos. No poder, ele enfrentou as grandes potências mundiais do período – e, dependendo da visão que se tem, poderia ter vencido. Ao se chocar contra o mundo todo por sua vontade, se tornou um ícone na mentalidade ocidental e na litereratura (especialmente no Romantismo).

Seu fim, igualmente marcante e inspirador de diversas obras literárias, ainda é assunto de muitos debates. Mas, como geralmente é o caso na vida, a Sorte não foi o único fator, se combinando com as escolhas prévias – tanto dele como de outros – e gerando um resultado imprevisível.

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