Até onde vamos chegar?

Antigamente, as propagandas eram centradas em coisas absolutamente geral. Massa, mesmo, ou em wannabes. Você, nobre cidadão, não pode deixar de ter isso. Do you want to become a gentleman? Then, you need the brand-new Higgins’ hat. É bem geral, não vai exatamente para nenhum grupo. Ou alguém realmente acredita que alguém não queria ser um gentleman e/ou não curtia a idéia de ser cidadão, dentre outras coisinhas mais?

Um pouco depois, começou uma leve nichificação (não reclamem dos neologismos. Eu sou um imbecil que acha que pode) desse ramo: começaram as propagandas voltadas a certos grupos, embora ainda assim para todos os grupos. Se tornaram coisas levemente mais especializadas, mais “você, morador de são josé dos campos, venha conferir o novo mercado da rua tabatininga”. Eu sei, grande diferença. Mas foi uma nichificação necessária, OK.

Depois, começou a especialização de verdade. Anúncios com nomes, daqueles em revistas; você, que tem cabelos pretos, cacheados, entre 30 e 45cm de comprimento, um metro e setenta de altura, gosta de usar branco e quer ficar ainda mais bonita precisa conhecer o novo <insira produto x aqui>. Veio acompanhada de uma diferenciação de produtos absurda: existem shampoos, condicionadores, computadores, carros, iPods, folhas sulfites e canetas para cada pessoa. Ford ficaria louco (não esse Ford, o que não era tão louco) com essa personalização toda. Até diâmetros diferentes de ponta de caneta gel existe (por mim, nem a caneta gel deveria existir). No entanto, alguns produtos não se diversificaram tanto, por não precisarem. Ainda são produtos de massa, como camisetas de futebol (apesar de até imitarem teletubies e canetas gel verdes), ou produtos do gênero. Pipoca de microondas tem “sem sal” e “com sal”, no máximo “sabor bacon artificial aromatizado”, não existem 42 tipos diferentes. São duas tendências diferentes, duas linhas evolutivas. Uma, a da cultura global, de massa, agrupando um enorme número de pessoas por modelos de sempre; a outra, a de personalização, satisfação de um certo número de clientes, geralmente dispostos a pagar mais pela exclusividade ou para satisfazer seu gosto (ou necessidade) particular demais.

Mas eu ainda preciso que alguém me explique qual linha segue um anúncio que diz “você odeia o Flamengo? Clique aqui”. Só eu acho que isso é um tanto… radical demais? A gente chegou ao ponto de agrupar pessoas por não-fazer alguma coisa, não gostar de alguma coisa? Ao ponto de “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” ser algo significativo? A generalização é tanta ou tão pouca, assim? É, no mínimo, curioso acompanhar.

Esse post foi feito por alguém com pouquíssimo conhecimento em história do marketing. Por favor, me poupem de etapas intermediárias históricas e afins.

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