Em todos os lugares e a qualquer minuto

De uns tempos para cá, meu maior problema para escrever tem sido falta de inspiração. Eu não acho um assunto sobre o qual escrever e, se acho, não consigo me expressar de maneira satisfatória.

Antigamente, costumava ser mais fácil. Não sei se pela angústia das férias (ei, isso existe, acredite), se por preocupação e tensão excessivas por conta das aulas, se por ser rígido demais comigo mesmo. Só sei que não tenho mais a fluidez para escrever tem caído exponencialmente.

Antes, a inspiração vinha de qualquer coisa: vinha de Chico, de Raul, de Drummond, de Machado. Ouvir os versos de cotidiano já era suficiente para me fazer escrever por uma ou duas semanas, textos que eu considero dos meus melhores (e acho que ainda não gosto de 80% dos meus textos). Hoje, ouvir Chico e ler Drummond o dia todo já não surtem efeito quase algum.

Inspiração vem, principalmente, da emoção, pelo menos para o tipo de texto que eu gosto de escrever. No entanto, não é que nada mais me emocione: é que a emoção já não vem tão pura: é circundada de medos e angústias, tensões e pensamentos alheios. Isso inibe a criatividade.

Alguns, no entanto, se fortalecem disso. Como? Meramente focando todos esses pensamentos, todas essas tensões e transformando em texto, passando ou não por uma fase emocional. São escritores que vivem, talvez, mais leves, pois não se importam com esses sentimentos usualmente hostis: pelo contrário, fazem bom uso deles, fortalecem-se através deles.

A inspiração ainda vem de Chico e de Drummond, mas já vem fraca, sutil demais. A verdade talvez seja que eu já não sei aproveitá-la, por mais que ela ainda seja a mesma. A inspiração ainda pode vir de todas as coisas e lugares, mas já não é mais a mesma. E, por não ser escritor de nascença, não sei mais lidar com isso.

Mas sei agora como se sentem os escritores em suas fases românticas, ao menos: têm por única fonte real de inspiração acabarem com angústias e tormentos através das pessoas. Inspiram-se através de sorrisos e palavras, deles ou delas. Pode soar piegas, meloso ou o que for (vontade de escrever whatever. Contenha-se), mas é fato.

Inspirações vêm de todas as coisas e de todos os lugares, basta saber aproveitá-las. Mas não há inspiração melhor do que a que vem de uma pessoa e um sorriso, nada mais. Não que eu já haja encontrado, ao menos.

Marcas Technorati:

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: