De Sentientibus

Há algum tempo, escrevi um post sobre o amor. Tentei fazer uma análise o mais objetiva possível desse tema, mas, fazendo uma análise a posteriori, creio que as coisas não sejam tão simples como originalmente eu tenha colocado.

Tratamos sentimentos como coisas triviais, onipresentes e quase tão necessárias como respirar. É esperado que as pessoas amem, cobicem, se empolguem, sonhem, tanto que a “incapacidade” de interação com os outros é tratada como um distúrbio psicológico. Por estarmos tão habituados com eles, nunca paramos para pensar no quão “anti-naturais” sentimentos como o amor ou o orgulho podem ser.

O ser humano possui alguns poucos impulsos naturais: o desejo sexual, o apego à prole, os mecanismos de auto-preservação. São coisas simples, que só são violados em situações extremas – como é evidente pela condenação quase que universal do suicídio em tradições, códigos legais e religiosos. Carecem das nuances e sutilezas que mesmo um sentimento bem tosco como o ódio possui.

Que dizer então do amor, sentimento notadamente complexo que mentes muito superiores à minha falharam em compreender? Amar outro ser exige, em primeiro lugar, amor-próprio; não é de todo inválida aquela “Sorte do Dia” do orkut que diz que “o primeiro e último amor é o amor-próprio”. Depois, ele exige uma capacidade de confiar nas pessoas; há uma citação ótima de The Sandman para isso, mas o Alessandro já usou em um post “recente”.

Então, quando se perde a capacidade de confiar em outrem, a pessoa não mais consegue amar. Em alguns casos, mantém-se a necessidade por sexo, mas não mais há envolvimento afetivo; quando há a manutenção de vínculos, é por questões sociais ou, como é o caso em muitos casamentos frustrados, pelos filhos.

Uma análise semelhante é possível para orgulho, ódio e uma série de outros sentimentos. Aquilo que tomamos por comum na verdade constitui um feito tão improvável quanto o “Milagre Termodinâmico” da transformação espontânea de oxigênio em ouro e, por isso mesmo, possui um valor inestimável.

Boa parte do post ainda não está feita, mas não quebrei em partes porque nunca termino minhas séries de textos. Então, depois eu volto e edito isso aqui.

2 respostas para De Sentientibus

  1. Bia Miscow disse:

    “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” 1Co. 4-7

    A plenitude do amor me constrage e a cada dia que passa eu me pergunto se um dia eu serei capaz de viver esse sentimento tão puro e intenso.

  2. Murilo Romulo disse:

    Long live Tec….

    Qualquer dia faço um post random sobre algum assunto que poucos conhecem. Antes disso, estudarei bastante a respeito.

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