OSINT – Inteligência Aberta

OSINT, sigla para Open source intelligence, é o termo usado, principalmente em inglês, para descrever a inteligência, no sentido de informações, como em serviço de inteligência, obtida através dados disponíveis para o público em geral, como jornais, revistas científicas e emissões de TV. [Wikipédia]

Uma introdução curta, mas para um leigo logo surge a dúvida: “O que é inteligência?“. Este pequeno artigo tem a intenção de introduzir o conceito de inteligência e de OSINT de uma maneira leve e didática para pessoas que não possuam experiência na área.

Informações, dados e inteligência

Como a citação acima demonstra, esta inteligência não é o seu intelecto, embora necessite dele para existir. A inteligência, na verdade, é o resultado do trabalho em cima de informações. Pode ser comparada com conhecimento, porém possui um valor prático.

Informações são a matéria-prima da atividade de inteligência. Elas são normalmente chamadas por outros nomes quando possuem certas características, como por exemplo:

  • Dados são objetos diretos da observação que, como foram recém-extraídos, não são tão versáteis, porém posuem precisão e especificidade. Exemplos seriam a data de nascimento de uma pessoa ou sua idade. Embora sozinhos não tenham muito efeito, quando reunidos e analisados tornam-se uma fonte vital de inteligência;
  • Fatos são informações verificadas, nas quais se pode confiar, e portanto possuem um valor especial. Nem sempre são tão corretos quanto se imaginava, o que resulta em muitos erros se não sofrerem o preparo o adequado, como a verificação por várias fontes.

A inteligência não existe só como algo alheio a pessoas comuns. No momento em que um motorista ouve no rádio que o caminho que desejava pegar está congestionado e decide mudar sua rota, está produzindo e utilizando inteligência. Este tipo de ato é extremamente valorizado em organizações de todos os tipos, como governos, instituições e empresas, pois é extremamente útil  como auxiliar em planejamentos e decisões.

A chamada “Era da Informação” se baseia de fato de que o foco é na manipulação de informações, o que não deixa de ser uma atividade de inteligência. Embora seja efetuada naturalmente, a produção de inteligência torna-se a cada ano mais uma habilidade a ser treinada e cuidada. Seus métodos são codificados, organizados, cientificizados, lecionados, tudo isto de maneira muitíssimo mais aberta e pública do que antes da World Wide Web, porém os tempos modernos também trouxeram uma abundância de informações disponíveis que ressalta uma área específica desta atividade: a OSINT.

OSINT

Uma tradução para o termo seria inteligência de fontes livres ou abertas, que mantém a idéia do termo original: inteligência produzida com base em informações de acesso público. Isto surge principalmente da idéia de que cada comunicação, quando relacionada a outras durante um certo período de tempo, pode ser utilizada para revelar mais conteúdo do que originalmente planejado.

Como a OSINT não depende de muitos recursos raros ou proibidos, mas possui um potencial razoavelmente alto; possui, mesmo quando foca em assuntos militares, uma alta quantidade de material produzido em comparação com outros tipos de inteligência. James Woolsey, Diretor da CIA de 1993 até 1995, estimou que 80% das informações confidenciais já podem ser deduzidas com base exclusivamente em fontes abertas.

Uma visão comum na população é que a OSINT é falha desde o princípio, pois não se pode confiar na maior parte das fontes públicas, como jornais, emissores de televisão ou sites na Web. Isso só torna mais aparente a necessidade do chamado pensamento crítico no tratamento de informações, ainda mais com a quantidade alta de possíveis fontes.

George Kennan comentou uma vez:

Eu diria que algo em torno de 95% do que nós precisamos saber poderia muito bem ser obtido por um estudo cuidadoso e competente de fontes perfeitamente legítimas de informação abertas e disponíveis para nós nas ricas bibliotecas e arquivos deste país. Boa parte do resto, se não pudesse ser encontrada aqui (e existe muito pouco que não poderia) poderia facilmente ser descoberta de maneira não-secreta em fontes similares em outros países.

Outra vantagem muitíssimo repetida é no fato de a OSINT ser apresentável. Quando algum pensamento é fundamentado em informações que não podem ser reveladas, é muito mais complicado justificá-lo perante os outros ou até mesmo expô-lo, um problema inexistente quando todas as fontes já são livres.

Porém, a elaboração de OSINT não deixa de ser uma atitude controversa: Em alguns lugares é possível censurar os resultados, por mais que estejam disponíveis para qualquer um com o tempo e a disposição necessários, o que torna estes esforços fúteis.

A inteligência de fontes livres ou abertas tem adquirido cada vez mais destaque com a produção independente por entusiastas, como visível em blogs como o Information Dissemination, onde o Raymond Pritchett, oficialmente um consultor de Tecnologia de Informação, escreve sobre o seu hobby: história e estratégia naval. Esta produção independente possui uma qualidade profissional e ressalta o caráter duradouro e importante da OSINT na coleta e produção de inteligência.

Bibliografia:
“Exploiting Open Source Information—Abundance, Value, and Intelligence Community Credibility”, Dr. Davis Bobrow.
“Information Operations: Putting the “I” Back Into DIME”, Mr. Robert D. Steele.

Uma resposta para OSINT – Inteligência Aberta

  1. […] os moldes do artigo sobre OSINT, uma pequena introdução sobre outra modalidade de inteligência, a SIGINT. Para os que não […]

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