Futebol arcaico – até quando?

29 maio, 2008

Meu professor de história vive dizendo que, se não evoluir, morre (e lá vai economia do café como exemplo). Hoje em dia, evoluir é algo bem relativo. Nos esportes, significou uma adaptação maneirada de regras a cada um, dois anos e, principalmente, maior uso das tecnologias disponíveis, mesmo as mais básicas.

Futebol americano (Go Patriots! – Murilo vai me matar por isso), tênis, por exemplo: qualquer lance duvidoso (ou não, vai da cabeça dos técnicos ou do jogador) pode ser rapidamente revisto com o auxílio de uma TV, um replay especial, qualquer coisa assim. Na hora, o juiz revê a jogada, tira quaisquer dúvidas e decide. Pode errar, claro (não no tênis, se o cara errar ele é MUITO lesado. Débil mental, mesmo, o replay é tão claro que não tem como), mas diminui MUITO essa margem de erro idiota.

Na Fórmula 1 (principalmente, mas em quase todo tipo de automobilismo), a tecnologia usada é tão bizarra que qualquer coisa ali tem tecnologia para ser usada daqui a 50 anos, na rua. Ou menos, mas deu para entender o que eu quis dizer, ninguém aqui é purista e louco o suficiente para expulsar um técnico por encostar o pé direito no campo, que dirá para levar minha metáfora literalmente. Mas, voltando… As muitas revisões para confirmar se um piloto deve ou não ser punido eliminam quaisquer margens para injustiça, até mesmo a terceira do rio.

Mas o futebol, não. É tudo na raça. Se reclamar que o juiz errou, ainda leva cartão para aprender que juiz é Deus no campo.

Eu não entendo por que RAIOS FIFA/CBF/Whatever são tão puritanas. Todos os estádios têm telões. Ou, mesmo que não tenham, não custa nada fazer como no futebol americano e botar uma TV para isso, fora do campo (do’oh) para o juiz ir ver quando houver reclamações ou dúvidas. Céus, eles ainda usam prorrogação. Não seria muito mais prático um cronômetro que pare durante as bolas paradas? Ah, sim, houveram algumas inovações nos últimos anos, tipo um spray que ninguém respeita e… É, é isso, não lembro de nenhuma outra assim, de pronto. O que leva a tanto conservadorismo, eu não sei. Eu sei que chega a ser ridículo, em uma final de campeonato nacional (que dirá em uma de copa do mundo) ter tanta margem para erro quanto tem hoje, se é um problema tão simples de resolver.

O único problema? Eliminaria o “ah, foi roubado!” 😉


Eu bebi duas vodkas ou duas vodki?

29 outubro, 2007

водка или водки?

Para todos que devem estar pensando que pirei (ou estou alcoolizado), este vai ser post proto-técnico chato sobre gramática línguas.

Algum tempo atrás no meio de uma dose extremamente boa de dietilamida de ácido lisérgico um momento de reflexão, comecei a aprender uma lugar estranha, o russo, a língua da terra das louras sem fim de pouca roupa, dos soviéticos vermelhos, do Putin. Lomonosov (Ломоносов), um grande acadêmico, cientista, escritor, polímata entre outros mais, disse uma vez:

“Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, aconselhava a falar: com Deus em espanhol, com os amigos em frânces, com os inimigos em alemão e com as damas em italiano. Mas se Carlos V conhecesse a língua russa, diria certamente, que em russo se pode falar com todos: com Deus, com os amigos, com os inimigos e com as damas, porque na língua russa há a majestade do espanhol, a vivacidade do francês, a força do alemão, a leveza do italiano e, além disso, a riqueza, a expressividade e a concisão do latim e do grego.”

(tradução feita por Olga Koldaeva com algumas alterações minhas)

Eu confesso que não é exatamente algo humilde, mas me sinto parcialmente obrigado a concordar. É uma lindo língua, entretanto BEM alienígena para um falante normal de português, incluindo as temidas “declinações” e outras coisas.

Antes de começar a comentar de maneira mais pesada, vamos fazer a introdução – Eu só falo decentemente português e inglês, com conhecimentos medianos de esperanto, que deram toda a minha experiência de declinação (que se resume a quase nula).

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O Mundo é Mágico

17 agosto, 2007

Ou pelo menos pensei que fosse. Eu queria ter um tigre comigo.

Hem, hem. Depois da seriedade de The Son of Nothing, vem algo mais descontraído, o prometido (a quem, diabos?) post sobre o garoto de seis anos mais popular (não, não é o Cebolinha) do mundo (creio eu), nosso querido amado e idolatrado… Calvin!

“Certo, preguiça de clicar no link. Quem diabos é Calvin então?”

Creio que vocês, leitores, já devem ter lido jornal. Sonhar nunca é demais. Qualquer coisa o link está acima.

Este é nosso amigo Calvin.

Se ainda não o conhecem, recomendo “O Mundo é Mágico”, lançado no Brasil pela Conrad neste ano (2007).

Era para ser um review. Oh. Bem, descontração, descontração, temos que fingir seriedade.

Hem, hem. Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes no original) são uma dupla extremamente surpreendente e animada, composta por um garoto de seis longos anos de vida (embora suas histórias tenham durado dez anos) e um tigre antropomorfizado irônico e cardosístico, de uma existência duvidosa e comentários levemente apimentados demonstrando sua hesitação em relação a nossa querida e gloriosa humanidade.

Não há muitas palavras para descrever cenas como:

Calvin: Eu tinha três anos nesta foto. Olha esse sorriso!

Calvin: Ah, a arrogância da juventude! Aos três anos, eu achava que sabia tudo.

Haroldo: E vofê explefava todo efe conhefimento favendo afim.

Calvin: Hoje, a experiência de toda uma vida me deixou amargo e cético.

Críticas à sociedade moderno de consumo (oh, que termo comunista!) com sua variedade insuportavelmente grande, telemarketing e até à arte:

Calvin: A arte não é uma questão de idéias. É uma questão de estilo.

Calvin: O ponto mais crucial ao optar por uma carreira é escolher um bom “ismo”, para todos poderem rotular você sem entender sua obra.

Haroldo: Você faz desenhos bobos na calçada.

Calvin: Isso. Sou um pós-modernista suburbano.

Haroldo: E quem não é?

Calvin: Eu ia ser um neo-desconstrutivista, mas minha mãe não ia deixar.

E mais oito quadrinhos em sequência abordando o tema. É definitivamente essencial para fãs de quadrinhos, críticas, ou qualquer pessoa que simplesmente queira se divertir um pouco.

Obs: É recomendável que não trate este livro como infantil. Um do maiores sofrimentos das comics é exatamente essa abordagem de “infantil” adotada várias vezes, embora tenhamos Sandman, Watchmen, Stardust, Preacher, entre outros, para demonstrar o lado maturo dos quadrinhos.

Creio que custou R$30~~40, com 172 páginas (incluindo as quatro capas) e com várias histórias em cores (as de domingo), papel de qualidade exemplar e formato grande (não sei o nome), parecido com 300, mas menor (algo como um caderno de desenho, talvez pouco mais que uma sulfite virada). Nenhum erro foi avistado durante a leitura, assim como também nenhuma história ruim. Mas isto pode ser apenas talvez fanboyzice.

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