De heróis e vilões, pt. 2

21 julho, 2008

Continuando o post, enfim.

Nos quadrinhos, essas mudanças foram perceptíveis pelos leitores. A quebra de estereótipos batidos e de histórias-padrão foram uma grande revolução nos quadrinhos, levando a Watchmen e outros. Mas e as histórias antigas? Não poderiam ser deixadas de lado, de forma alguma. Não podiam ser alteradas tão drasticamente a ponto de personagens não serem reconhecíveis de edição em edição, não podiam ter uma revolução tão grande em tão pouco tempo.

As histórias antigas tiveram, sim, um revamp, mas muito mais gradual ou de fato alterando-se. Elas ganharam novos títulos ou foram gradualmente introduzindo novos vilões e novas características aos roteiros. Em geral, a primeira opção foi a preferida: as histórias antigas continuavam muito mais lentamente, enquanto novos títulos eram criados utilizando personagens claramente entre os originais e os novos, alterados, mais humanos. Foram criadas situações diferentes, alterações drásticas dos contextos originais (até porque esses não fariam muito sucesso ou sentido se mantidos estáticos).

No cinema, é visível a alteração, até porque o cinema nunca ligou para manter histórias. Com superproduções cada vez mais alardeadas e adaptações cada vez mais freqüentes dos quadrinhos, o cinema se tornou uma grande vitrine das características dos quadrinhos, novas ou nem-tão-novas mas revolucionárias, como o supracitado Watchmen. Neles, com os personagens ganhando vida, no entanto, o caráter que assumiram se torna absolutamente fácil de perceber.

No entanto, por alguma razão, me parece que as histórias não conseguiram mudar tanto os heróis quanto os vilões. Heróis se tornaram um papel de estrelato, de certa forma, mas absolutamente enfadonhos. Batman, Superman e afins continuam nobres demais. Nada mais natural. Aliás, fique claro, não estou reclamando, gosto das coisas assim. Mas não dá para negar que isso abriu um IMENSO espaço para que os vilões se tornassem os personagens mais interessantes. A excentricidade, a complexidade de caráter, além de tiradas geniais, tornaram-se uma marca esperada de vilões, junto a uma astúcia que, talvez, seja a coisa menos real deles, digna de um mestre como don Vito Corleone ou até mais.

Vê-se, portanto, uma tendência a alardearem-se os vilões acima dos heróis. Já não é a primeira vez que saio de um filme adorando e elogiando o vilão ao invés do herói.

Por fim, há os vilões que viram heróis e vice-versa. Mas esses, não sei se são bons ou ruins. Muitas vezes, é algo cabível mas um tanto sem graça. Perdem a família, entes queridos, etcétera. Se não, sofrem um acidente. Ou então ficam simplesmente loucos. Ou, no outro caso, vêem o mal que estão fazendo (sério, isso é a maior quebra de expectativa/clima que eu conheço) ou alguma razão absurda, como serem salvos pelo herói e resolverem ajudá-lo, etc.

O que eu vejo, portanto, é um cenário longe do primário dos quadrinhos: os heróis ainda vencem, ainda são admiráveis e imbatíveis, mas ganham simpatia apenas dos mais inocentes. Boa parte do público, agora, idolatra e entende mais o vilão do que o herói. Lógico, ninguém apóia que a cidade seja explodida ou o mundo destruído, mas todos entendem que o mais humano e plausível entre os dois (e, portanto, maior merecedor de compreensão e até simpatia/elogios) é o vilão, por mais cruel que seja. Eu elogio e aplaudo de pé os últimos vilões que vi em filmes do gênero.

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De heróis e vilões, pt. 1

21 julho, 2008

Sabem, um dia eu gostei dos heróis. Alguma parte inocente de mim achava que o fato de eles fazerem tão bem o bem era digno de real admiração, e eles eram meus favoritos. Aliás, até pouco tempo atrás, coisa de pouquíssimos anos, eles ainda eram meus favoritos.

Aliás, a princípio, era esse mesmo o propósito dos heróis: causar admiração. Eram sempre bons, ideais, perfeitos. Eram invencíveis, claro. Não tinham obsessões, apenas a justiça. Nunca era preciso nenhum contratempo para que salvassem o dia. A priori eles causavam admiração e ganharam grande afinidade dos leitores de quadrinhos.

Os vilões, por outro lado, eram o exato oposto: deveriam causar ódio e, em geral, se assemelhavam a algo que era socialmente combatido na época: russos ou americanos, dependendo do lugar; monstros que representavam algum mal; mafiosos; criminosos em geral; corruptos, etc. Eram, basicamente, uma visão do que a sociedade detestava, e não tinham qualquer característica especial além de obedecer isso da forma mais estúpida possível.

Com o tempo, porém, essas características foram mudando. A começar pelos heróis, que deixaram de ser invencíveis e passaram a fazer sucesso em edições especiais que apresentam suas mortes. Fraquezas humanas foram aparecendo, eles começaram a perder batalhas. Psicologicamente, deixaram de ser perfeitos e ideais, e se tornaram mais suscetíveis a dilemas humanos. Passaram a perder coisas, em troca de salvarem o dia (pelo menos isso. Mas se deixarem de salvar o dia, até a graça perdem). Por mim, melhoraram assim.

Os vilões também. Não deixaram de ser maus (aliás, alguns ficaram até piores), não, mas ficaram absolutamente melhores. Também ganharam características um tanto mais humanas, deixaram de ser simplesmente o estereótipo do mal e do “vou destruir a Terra sem razão aparente”, “vou dominar o mundo” ou “vou te matar por ter quebrado minha unha naquele verão”. Alguns ainda têm um estereótipo bem definido, sim, mas são estereótipos humanos. É o estereótipo do louco, é o estereótipo do obcecado. São vilões absolutamente mais humanos e, portanto, mais divertidos, mais realistas.

Em um próximo post, falo mais sobre o assunto, para não fazer algo extenso demais. Também não deve demorar muito, não se preocupem.

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O Mundo é Mágico

17 agosto, 2007

Ou pelo menos pensei que fosse. Eu queria ter um tigre comigo.

Hem, hem. Depois da seriedade de The Son of Nothing, vem algo mais descontraído, o prometido (a quem, diabos?) post sobre o garoto de seis anos mais popular (não, não é o Cebolinha) do mundo (creio eu), nosso querido amado e idolatrado… Calvin!

“Certo, preguiça de clicar no link. Quem diabos é Calvin então?”

Creio que vocês, leitores, já devem ter lido jornal. Sonhar nunca é demais. Qualquer coisa o link está acima.

Este é nosso amigo Calvin.

Se ainda não o conhecem, recomendo “O Mundo é Mágico”, lançado no Brasil pela Conrad neste ano (2007).

Era para ser um review. Oh. Bem, descontração, descontração, temos que fingir seriedade.

Hem, hem. Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes no original) são uma dupla extremamente surpreendente e animada, composta por um garoto de seis longos anos de vida (embora suas histórias tenham durado dez anos) e um tigre antropomorfizado irônico e cardosístico, de uma existência duvidosa e comentários levemente apimentados demonstrando sua hesitação em relação a nossa querida e gloriosa humanidade.

Não há muitas palavras para descrever cenas como:

Calvin: Eu tinha três anos nesta foto. Olha esse sorriso!

Calvin: Ah, a arrogância da juventude! Aos três anos, eu achava que sabia tudo.

Haroldo: E vofê explefava todo efe conhefimento favendo afim.

Calvin: Hoje, a experiência de toda uma vida me deixou amargo e cético.

Críticas à sociedade moderno de consumo (oh, que termo comunista!) com sua variedade insuportavelmente grande, telemarketing e até à arte:

Calvin: A arte não é uma questão de idéias. É uma questão de estilo.

Calvin: O ponto mais crucial ao optar por uma carreira é escolher um bom “ismo”, para todos poderem rotular você sem entender sua obra.

Haroldo: Você faz desenhos bobos na calçada.

Calvin: Isso. Sou um pós-modernista suburbano.

Haroldo: E quem não é?

Calvin: Eu ia ser um neo-desconstrutivista, mas minha mãe não ia deixar.

E mais oito quadrinhos em sequência abordando o tema. É definitivamente essencial para fãs de quadrinhos, críticas, ou qualquer pessoa que simplesmente queira se divertir um pouco.

Obs: É recomendável que não trate este livro como infantil. Um do maiores sofrimentos das comics é exatamente essa abordagem de “infantil” adotada várias vezes, embora tenhamos Sandman, Watchmen, Stardust, Preacher, entre outros, para demonstrar o lado maturo dos quadrinhos.

Creio que custou R$30~~40, com 172 páginas (incluindo as quatro capas) e com várias histórias em cores (as de domingo), papel de qualidade exemplar e formato grande (não sei o nome), parecido com 300, mas menor (algo como um caderno de desenho, talvez pouco mais que uma sulfite virada). Nenhum erro foi avistado durante a leitura, assim como também nenhuma história ruim. Mas isto pode ser apenas talvez fanboyzice.

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