Revelações

7 janeiro, 2009
Auto-explicativa

Auto-explicativa

O Blog vai, volta, e os autores se revelam.


O poder corrompe

12 julho, 2008

Bem, este post surgiu por vários motivos. O primeiro desses é para atender a um desafio de uma estimada leitora, que acha que – fora o Murilo – nós escrevemos complicado demais. No meu caso, pelo menos, é irônico. Quem me conhece sabe o quão quebrada e rude é minha fala, com um nível de educação que faria um marinheiro corar. Talvez por isso eu acabe tentando fazer um texto um pouco mais rebuscado, mas vou tentar me controlar.

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E nos dizemos brasileiros

12 setembro, 2007

O Brasil é um lugar complicado.

Somos chamados de preguiçosos, lentos, atrasados ou macacos no exterior. Não concordo, somos bastante desenvolvidos, menos chatos do que um americano chato e burocrata e mais bem-humorados do que ingleses. Somos um povo alegre mas, não podemos negar, hipócrita.

Honestamente, a votação do caso de Renan foi uma votação do Senado sobre o que seguir: o povo, que os elege e, em tese, é a razão pela qual eles estão ali; o Senado e a si próprios, o que é absolutamente imoral e ilegal.

Pois bem, adivinhem, eles preferiram votar em si mesmos. Não todos, mas muitos. E o que brasileiros fazem? “Filhos da puta” ou “caramba, essa novela das oito não começa, mesmo”. Só.

Caramba, o que é isso?

A começar pelo sistema de votação, o Senado está todo errado. Temos ali pessoas completamente incapacitadas, pessoas eleitas por n razões que não a capacidade política. São imorais, incompetentes e preguiçosos, a mostra viva da imagem brasileira no exterior. Deprimentes. Mas estão ali. Segundo, em toda a Assembléia, o voto é secreto. Oras, porque nós, o povo, não podemos saber em que nossos candidatos votaram? Para elegermo-nos novamente? Caramba, que cara-de-pau é essa?

 

Não, Brasil, você não vai para a frente. Perdão.


O Mundo é Mágico

17 agosto, 2007

Ou pelo menos pensei que fosse. Eu queria ter um tigre comigo.

Hem, hem. Depois da seriedade de The Son of Nothing, vem algo mais descontraído, o prometido (a quem, diabos?) post sobre o garoto de seis anos mais popular (não, não é o Cebolinha) do mundo (creio eu), nosso querido amado e idolatrado… Calvin!

“Certo, preguiça de clicar no link. Quem diabos é Calvin então?”

Creio que vocês, leitores, já devem ter lido jornal. Sonhar nunca é demais. Qualquer coisa o link está acima.

Este é nosso amigo Calvin.

Se ainda não o conhecem, recomendo “O Mundo é Mágico”, lançado no Brasil pela Conrad neste ano (2007).

Era para ser um review. Oh. Bem, descontração, descontração, temos que fingir seriedade.

Hem, hem. Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes no original) são uma dupla extremamente surpreendente e animada, composta por um garoto de seis longos anos de vida (embora suas histórias tenham durado dez anos) e um tigre antropomorfizado irônico e cardosístico, de uma existência duvidosa e comentários levemente apimentados demonstrando sua hesitação em relação a nossa querida e gloriosa humanidade.

Não há muitas palavras para descrever cenas como:

Calvin: Eu tinha três anos nesta foto. Olha esse sorriso!

Calvin: Ah, a arrogância da juventude! Aos três anos, eu achava que sabia tudo.

Haroldo: E vofê explefava todo efe conhefimento favendo afim.

Calvin: Hoje, a experiência de toda uma vida me deixou amargo e cético.

Críticas à sociedade moderno de consumo (oh, que termo comunista!) com sua variedade insuportavelmente grande, telemarketing e até à arte:

Calvin: A arte não é uma questão de idéias. É uma questão de estilo.

Calvin: O ponto mais crucial ao optar por uma carreira é escolher um bom “ismo”, para todos poderem rotular você sem entender sua obra.

Haroldo: Você faz desenhos bobos na calçada.

Calvin: Isso. Sou um pós-modernista suburbano.

Haroldo: E quem não é?

Calvin: Eu ia ser um neo-desconstrutivista, mas minha mãe não ia deixar.

E mais oito quadrinhos em sequência abordando o tema. É definitivamente essencial para fãs de quadrinhos, críticas, ou qualquer pessoa que simplesmente queira se divertir um pouco.

Obs: É recomendável que não trate este livro como infantil. Um do maiores sofrimentos das comics é exatamente essa abordagem de “infantil” adotada várias vezes, embora tenhamos Sandman, Watchmen, Stardust, Preacher, entre outros, para demonstrar o lado maturo dos quadrinhos.

Creio que custou R$30~~40, com 172 páginas (incluindo as quatro capas) e com várias histórias em cores (as de domingo), papel de qualidade exemplar e formato grande (não sei o nome), parecido com 300, mas menor (algo como um caderno de desenho, talvez pouco mais que uma sulfite virada). Nenhum erro foi avistado durante a leitura, assim como também nenhuma história ruim. Mas isto pode ser apenas talvez fanboyzice.

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Serviço Militar Obrigatório: Uma história

16 agosto, 2007

Depois de uns breves desvios, finalmente começo a falar sobre o tema no qual eu pretendia me focar ao ser chamado para participar dessa joç do blog: Militarismo. Bem, o Serviço Militar Obrigatório é um assunto que preocupa muito as pessoas de minha idade, já prestes a servir, e que possivelmente já foi fonte de muito incômodo para os leitores mais velhos (OK, estou sendo bem esquizofrênico otimista ao me dirigir a esses). Porém, por mais que ele seja uma preocupação de muitos jovens prestes a prestar o vestibular (exceto, claro, os futuros iteanos que passem de primeira), as pessoas em geral conhecem muito pouco sobre a conscrição e suas conseqüências. Por isso farei essa pequena duologia (isso existe?) de posts.

A conscrição surgiu, na forma como a conhecemos, durante a Revolução Francesa. A nascente República, sendo ameaçada por inimigos dentro e fora de suas fronteiras, e sem condições de montar um novo exército profissional (visto que o antigo, segundo John Keegan, eminente historiador militar, “era politicamente suspeito e, além disso, tinha perdido muitos de seus oficiais treinados”) antes de ser subjugada pelos absolutistas, recorreu ao expediente de tornar “cada homem um soldado”; uma tentativa anterior de deixar o serviço militar apenas para os voluntários, a Guarda Nacional, possuía efetivo insuficiente para ser efetiva na defesa nacional. De tal modo, a República Francesa, já em 1794, conseguiu mobilizar um impressionante total de 1 milhão e 169 mil homens em armas, um exército imenso para os padrões da época, garantindo a sua sobrevivência e formando a base do exército que permitiu a Napoleão sua conquista da Europa continental.

Antes disso, a idéia de conscrição já era defendida por alguns teóricos, o mais notável deles sendo o grande Nicolau Maquiavel, crítico dos sistemas adotados pela maioria das repúblicas italianas, de exército profissional e de uso de mercenários, que, sem controle ou pagamentos generosos e regulares, acabavam tomando o poder das cidades que os contrataram, como Munzio Sforza e Braccio da Montone, condottieri italianos que se tornaram figuras políticas importantes na Itália renascentista.

Mas o principal teórico da conscrição foi o pai da teoria militar ocidental moderna, Carl von Clausewitz, militar prussiano que, impressionado com o poder militar gerado a partir da crença francesa na causa republicana, buscava uma forma de mobilizar o “exército de soldados-cidadãos” sem efetuar na monárquica Prússia as profundas mudanças sociais causadas pela Revolução Francesa, ele (ou seus intérpretes/discípulos) encontrou no nacionalismo uma forma de motivar a população masculina adulta e tornar a conscrição aceitável, permitindo a mobilização rápida de grandes quantidades de tropas. Isso teve um grande impacto na Europa do século XIX. O serviço militar passou a ser visto não totalmente como um dever, mas sim como uma forma de fazer merecer a cidadania. A idéia da relação profunda entre cidadania e serviço militar se tornou tão arraigada que, mesmo nos países onde ele não era obrigatório, grandes números de voluntários se apresentavam para cumprir seu “dever cívico”.

Tal integração entre sociedade e exército fez com que a famosa tradução errônea de Clausewitz, “a guerra é uma continuação da política por outros meios”, fosse totalmente invertida, e a política – e, com ela, toda a sociedade – passasse a ser um prolongamento do espírito belicista. Isso fica evidente na carnificina que foi a Primeira Guerra Mundial, que resultou no massacre de uma geração de jovens, tanto das camadas mais pobres, como das elites universitárias (muitos alunos das grandes universidades britânicas foram mortos em combate, e o mesmo aconteceu com a juventude burguesa francesa e alemã).

Após ambas as guerras mundiais, muitos países, visando evitar novas baixas tão extensas, quiseram reduzir seu exércitos e torná-lo mais profissionalizado e tecnologicamente preparado, processo que resultou na forma altamente impessoal de guerra praticada atualmente pelas grandes potências, com os Estados Unidos sendo um caso extremo. A epítome desse processo de impersonalização (isso existe?) da guerra foi o desenvolvimento, ainda durante a Segunda Guerra Mundial (e cujo aprimoramento foi fator importantíssimo da Guerra Fria), das armas nucleares.

Muitos países, no entanto, ainda mantém a conscrição como fonte maior de seu poder militar, seja por não possuirem os recursos técnicos necessários para poder se dar ao luxo de reduzir seu exército a um pequeno corpo profissional ou por possuírem necessidades de defesa para as quais o uso de um exército totalmente profissional seria dispendioso demais.

Seria esse o caso do Brasil? Vejamos no próximo post.

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Now playing: Pink Floyd – Time
via FoxyTunes


Isso é sacanagem…

3 agosto, 2007

Eu prometo, esse é meu PENÚLTIMO post sobre o acidente do Airbus em Congonhas. Penúltimo pra eu poder postar depois caso eu precise. Mas, enfim, indo ao que interessa…

Como ladrões roubaram DOCUMENTOS do açougue que (não) daria álibi pro Renan mentir, agora o avião estava perfeito, segundo o Airbus. Não havia falhas, o reverso estava perfeito, tudo certo. Absolutamente normal, a culpa foi do piloto, como sempre.

Fala sério, isso me faz tem horror à Airbus. Eles divulgam dizendo que o avião estava em perfeito estado, mesmo MEIO MUNDO sabendo que o avião já tinha tido defeitos e o reverso não ‘tava legal, não pegou. O piloto pode ter falhado, mas o avião também foi problema. Mas, como estar envolvido no maior acidente da aviação de qualquer país que tenha – em tese – tráfego aéreo que -em tese – preste, a Airbus disse que as caixas-pretas não mostram nenhuma falha, que o avião estava perfeito. E joga a culpa no piloto.

Pel’amor, isso é politicagem DEMAIS pra mim, é sacanagem absoluta. O cara MORREU e continuam sacaneando? Poxa, bom senso, pelo menos. Respeito aos parentes. ADMITAM o erro, amenizem até, se quiserem, mas mentir não melhora muito. Aliás, até piora. A não ser para o povo ignorante, mas eles não vão de TAM, vão de GOL, poxa. Quem liga para isso SABE o que ‘tá acontecendo, VAI SACAR a jogada (eu e meu otimismo…) e vai começar a detestar a Airbus, mesmo, e evitá-la. Se eles admitem, pedem desculpas, pelo menos não fica feio para o público. Maluf disse que ‘rouba mas faz’, e aí está, sendo eleito. Quem sabe não dá certo em outros setores? Se bem que o Lula diz que não sabe de nada e é presidente da República….

 


Os ingleses nos odeiam

3 agosto, 2007

‘Tá, isso é meio emo. Mas emo é o caramba, sou brasileiro, e o Brasil tem a polícia mais brutal do mundo! Bom, pelo menos o Rio, segundo a revista “The Economist”, que disse que, no Rio, a polícia é pelo menos metade do problema, quando se trata do crime e da violência.

Eu particularmente achei o artigo agressivo, mas verdadeiro. “Anos de prostração oficial, ineficiência e corrupção deslavada envenenaram lentamente o cumprimento da lei na cidade“, “líderes populistas, que distribuíram os altos cargos de segurança para amigos” (referente aos candidatos eleitos pelos cariocas) são alguns dos trechos da reportagem. Olha, eu acho verdade. A polícia do Rio é horrenda. A inglesa dá coronhadas e é mais efetiva, nós damos tiros, chumbo MESMO, e estamos perdendo, perdendo MESMO. Aí fica complicado.

Talvez, claro, os ingleses tenham exagerado: eles já tinham feito uma matéria sobre a corrupção no PAN e, agora, essa. Fica pesado, absolutamente ofensivo para um brasileiro. Mas ainda acho que mais ofensivo é ter na presidência do Senado um infeliz daqueles, ter UM SENADO infeliz daqueles, uma Câmara sem vergonha, e ligar para os ingleses que dizem que temos um Congresso deplorável, dizendo que eles são agressivos e sensacionalistas.