A little collage

26 abril, 2009

For two different people, by two different reasons.

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April is the cruellest mont, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain

She loves me…she loves me not.
I tear my hands, scatter the broken fingers…loves me not
As we scatter the random riddling heads of daisies
Tumbling through summer.

Tread lightly, she is near
Under the snow.
Speak gently, she can hear
The daisies grow

This is the dead land
This is cactus land
Here the stone images
Are raised, here they receive
The supplication of a dead man’s hand
Under the twinkle of a fading star

Rayless, and pathless, and the icy Earth
Swung blindly and blackening in the moonless air;
Morn came and went — and came, and brought no day,
And men forgot their passions in the dread
Of this desolation; and all hearts
Were chill’d into a selfish prayer for light

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortal dared to dream before.
But the silence was unbroken, and the darkness gave no token
And the only word there spoken was the whispered word, “Lenore!”
This I whispered, and an echo murmured back the word, “Lenore!”
Merely this and nothing more.


Sobre a Assexualidade

17 janeiro, 2009

Entre o final da década de 1940 e o começo da década de 1950, Alfred Kinsey, tido como o pai da sexologia (campo de estudos de nossa atual Ministra do Turismo), fez uma extensa pesquisa sobre os hábitos sexuais da população americana, que culminou na publicação de Sexual Behavior in the Human Male ( 1948 ) e Sexual Behavior in the Human Female (1953), obras que, por terem catalisado uma reflexão ampla sobre o sexo, contribuíram para tornar socialmente aceitáveis certas práticas sexuais tidas anteriormente como “anormais”.

Durante sua pesquisa, Kinsey criou uma escala para quantificar a opção sexual dos entrevistados em algum ponto entre 0 (completamente heterossexual) e 6 (completamente homossexual). Porém, uma porcentagem dos entrevistados não se encaixava em nenhum ponto dessa escala – ou seja, não possuíam “contatos ou reações sócio-sexuais.” Esses indivíduos recebiam uma classificação especial como “X”, mas o estudo de Kinsey sobre o tópico parou por aí.

O tema da assexualidade só seria novamente abordado em 1977,  em Asexual and Autoerotic Women: Two Invisible Groups. Em tal paper, a autora faz uma diferenciação entre mulheres autoeróticas (que se masturbam, porém não possuem desejo por sexo) e mulheres assexuadas (que, além de não possuírem desejo sexual, também não possuem impulso por masturbação) – atualmente, ambos os grupos são considerados “assexuais”. Desde então, várias pesquisas foram feitas sobre a assexualidade.

Terminada a introdução histórica, podemos partir para uma definição do que seria a assexualidade (Apesar de o nome ser praticamente auto-explicativo.) Assexual é a pessoa que não sente atração sexual, seja por pessoas de mesmo sexo ou pessoas de outro sexo. Tendo feito a obrigatória definição, restam alguns pontos a ser clarificados:

Assexualidade não é a mesma coisa que celibato. O celibatário é alguém que se abstém da atividade sexual, seja por vontade própria (como no caso de alguém que assume um voto de castidade), seja por outros fatores. Já a pessoa assexual não sente vontade de fazer sexo, o que inclui tanto pessoas que abominam a idéia de relações sexuais quanto aquelas que simplesmente são indiferentes a estas.

Assexualidade não impede a pessoa de desejar relacionamentos. Normalmente, o comportamento assexual é algo que vem da própria pessoa – ela simplesmente não sente atração sexual por outras, o que não a impede de formar vínculos afetivos com outras pessoas. On the other hand, a incapacidade de formar vínculos afetivos com outras pessoas também não é um indício de assexualidade: o filósofo Wittgenstein, tido como um exemplo de portador da síndrome de Asperger, teve vários affairs homossexuais. A única diferença entre os relacionamentos de assexuais e o de pessoas “normais” é que aquelas se focarão nos aspectos não-eróticos da relação: proximidade, comunicação e todas aquelas outras coisas que o pensamento hetero-normativo em culturas latinas rotularia como baitolice.

Assexualidade não implica ausência de excitação: Apesar de assexuais não sentirem impulso por sexo, alguns experimentam excitações ocasionais. Porém, no caso de assexuais, isso não costuma estar associado ao desejo sexual, sendo puramente biológico. Além disso, não é algo que ocorra com todos os que são identificados como assexuais, como é visível pela divisão inicial entre assexuais e autoeróticos.

Assexualidade não é doença (normalmente): Em condições normais, a assexualidade não é oriunda de condições médicas. Porém, em alguns casos, a perda do impulso sexual pode ser oriunda de condições clínicas mais profundas. Além disso, quando o caráter assexual de uma pessoa interfere no seu relacionamento com uma pessoa *-sexual, isso é classificado como Desordem de Desejo Sexual Hipoativo, considerada como uma desordem mental pelo DSM-IV.

Uma vez que a maior parte dos estudos quantitativos costuma ser superficial, dividindo a população em heterossexuais e GLBT (ou seja lá qual for o acrônimo da semana), tem-se a impressão de que a assexualidade é um fenômeno raro; dessa forma, muitos assexuais acabam sofrendo um preconceito até mesmo maior do que aquele dirigido a homossexuais e bissexuais.

Porém, os poucos estudos especificamente voltados para o fenômeno da assexualidade parecem indicar que o fenômeno é muito mais comum do que se pensa. Com base em uma pesquisa feita na Inglaterra, Anthony F. Bogaert estimou que cerca de 1.05% da população é assexual, índice muito próximo ao de pessoas homossexuais. Pouco depois, Prause e Graham traçaram um perfil do “assexual médio”, com base em questionários-padrão; sua pesquisa apresentou uma proporção maior de assexuais, mas isso pode se dever ao espaço amostral menor (18.000 no estudo de Bogaert, 1.146 no estudo de Prause e Graham.)

O número de pessoas que se declaram assexuais cresceu com o advento da internet. O surgimento de sites como o da ASEN (Asexual Visibility and Education Network) proporcionou aos assexuais aquilo que os homossexuais e bissexuais já tinham há algum (pouco) tempo: uma comunidade que os ajude a “sair do armário”, um meio em que encontrem pessoas que não vão as hostilizar por conta de sua opção com relação ao sexo. Com isso, a tendência é que a porcentagem da população que se declara assexual cresça e ganhe destaque.

A assexualidade é um “fenômeno” relativamente comum, mas pouco estudado pelos pesquisadores ao redor do mundo. Porém, com o aumento do interesse da academia sobre o tópico e o aumento do número de pessoas que se consideram assexuais, espera-se obter um melhor entendimento sobre o assunto, aumentando a compreensão que temos sobre a sexualidade humana.

Bibliografia:

-BOGAERT, Anthony F.: Asexuality: prevalence and associated factors in a national probability sample,  Journal of Sex Research, August 2004.

-PRAUSE, Nicole & GRAHAM, Cynthia A.: Asexuality: Classification and Characterization, Kinsey Institute, 2007.

-ASEN (Asexual Visibility and Education Network): http://www.asexuality.org

-Research on Asexuality in Asexual Explorations: http://asexystuff.blogspot.com/2008/10/research-on-asexuality.html


De Sentientibus

28 novembro, 2008

Há algum tempo, escrevi um post sobre o amor. Tentei fazer uma análise o mais objetiva possível desse tema, mas, fazendo uma análise a posteriori, creio que as coisas não sejam tão simples como originalmente eu tenha colocado.

Tratamos sentimentos como coisas triviais, onipresentes e quase tão necessárias como respirar. É esperado que as pessoas amem, cobicem, se empolguem, sonhem, tanto que a “incapacidade” de interação com os outros é tratada como um distúrbio psicológico. Por estarmos tão habituados com eles, nunca paramos para pensar no quão “anti-naturais” sentimentos como o amor ou o orgulho podem ser.

O ser humano possui alguns poucos impulsos naturais: o desejo sexual, o apego à prole, os mecanismos de auto-preservação. São coisas simples, que só são violados em situações extremas – como é evidente pela condenação quase que universal do suicídio em tradições, códigos legais e religiosos. Carecem das nuances e sutilezas que mesmo um sentimento bem tosco como o ódio possui.

Que dizer então do amor, sentimento notadamente complexo que mentes muito superiores à minha falharam em compreender? Amar outro ser exige, em primeiro lugar, amor-próprio; não é de todo inválida aquela “Sorte do Dia” do orkut que diz que “o primeiro e último amor é o amor-próprio”. Depois, ele exige uma capacidade de confiar nas pessoas; há uma citação ótima de The Sandman para isso, mas o Alessandro já usou em um post “recente”.

Então, quando se perde a capacidade de confiar em outrem, a pessoa não mais consegue amar. Em alguns casos, mantém-se a necessidade por sexo, mas não mais há envolvimento afetivo; quando há a manutenção de vínculos, é por questões sociais ou, como é o caso em muitos casamentos frustrados, pelos filhos.

Uma análise semelhante é possível para orgulho, ódio e uma série de outros sentimentos. Aquilo que tomamos por comum na verdade constitui um feito tão improvável quanto o “Milagre Termodinâmico” da transformação espontânea de oxigênio em ouro e, por isso mesmo, possui um valor inestimável.

Boa parte do post ainda não está feita, mas não quebrei em partes porque nunca termino minhas séries de textos. Então, depois eu volto e edito isso aqui.


Revoluções nos Assuntos Militares

22 novembro, 2008

Bem, após algum tempo fora de ação, parece que o Far Beyond Sanity está de volta. Considerando-se o presente estado dos autores, imagino que os posts serão escassos por algum tempo, mas depois as coisas devem voltar ao ritmo de outrora. E, para celebrar a ressureição desta zona, escreverei um pouco sobre Revoluções nos Assuntos Militares.

Criado pelos soviéticos, cujo estudo da “ciência militar” é muito mais rígido e formalista do que a tradição americano-européia, a idéia da existência de tais revoluções – ao contrário de muito da produção sobre assuntos militares do antigo Bloco Oriental – chegou ao Ocidente, onde encontrou tanto defensores como opositores.

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De adaptações de HQs

18 julho, 2008

UPDATE: Finalmente saiu o trailer de Watchmen. Como estou numa fase nostálgica, decidi reviver este post, da época em que eu me satisfazia em escrever menos de mil palavras por texto.

Na última década, adaptações de histórias em quadrinhos para os cinemas tem se tornado cada vez mais comuns. Depois dos terríveis filmes dos anos 80 e 90 sobre o tema, saiu em 2000 o primeiro filme dos X-Men (não exatamente uma obra-prima, convenhamos, mas cinema-pipoca do tipo capaz de render milhões em bilheteria). Uns 2 anos depois, estreava o primeiro filme do Homem-Aranha.

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L’ Amour

17 julho, 2008

O Amor é algo incompreensível e indefinível. Toda vez que alguém tenta descrevê-lo ou defini-lo, acaba sendo vago demais. “Amor é fogo que arde sem se ver” não quer dizer muito. Se fôssemos definir o amor de uma forma mais científica, acabaríamos nos referindo a ele como conseqüência de um conjunto de reações químicas no cérebro. Besteira. Só se pode falar do amor por exclusão ou através de suas conseqüências.

É irônico que seja eu, dentre todos os escritores deste blog, quem decidiu postar sobre este tema. Afinal, meus textos em geral têm linguagem rebuscada e versam sobre algum assunto arcano que interessa apenas a meia dúzia de gatos pingados em algum lugar deste mundo, que por um acaso são aqueles que podem rebatê-los tranqüilamente.

Um texto sobre um tema universal e subjetivo é muito mais próximo do Andrei, nosso escritor de vidroporcelana, ou do Murilo, o mais humano (e mundano) de nossos autores. O Alessandro, em seus textos delirantes, também poderia tangenciar um tema tão inexato, e o Fábio também tem a sua produção mais melosa – apesar de, sensatamente, enviá-la apenas para as destinatárias.

Mas cá estou eu, escrevendo sobre o tema mais subjetivo e meloso a passar por este blog, e ainda por cima tentando evitar de escrever de uma forma rebuscada demais. Pessoas mudam, assim como estilos de escrita. Para não fugir muito da minha forma usual, tentarei adotar uma abordagem mais ou menos racional – se é que é possível -, e me utilizarei de muitos exemplos; alguns de minha vida, alguns de leitores ou escritores.

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O poder corrompe

12 julho, 2008

Bem, este post surgiu por vários motivos. O primeiro desses é para atender a um desafio de uma estimada leitora, que acha que – fora o Murilo – nós escrevemos complicado demais. No meu caso, pelo menos, é irônico. Quem me conhece sabe o quão quebrada e rude é minha fala, com um nível de educação que faria um marinheiro corar. Talvez por isso eu acabe tentando fazer um texto um pouco mais rebuscado, mas vou tentar me controlar.

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